segunda-feira, 22 de setembro de 2008

DRM - O problema... e a solução da EA

Recentemente a notícia que mais se destacou foi o problema do DRM (Digital Rights Management) do Spore, imposto pela Electronic Arts (EA).

Isso fez com que mais de 2000 usuários dessem nota 1 (a pior) para o jogo Spore no site amazon.com, entre centenas de reclamações em todo tipo de blog e site de notícias no mundo, e com isso o DRM virou sinônimo de inferno, onde milhares de jogadores hoje tem opiniões negativas sem sequer entender o que realmente o DRM se propõe a fazer.

O exigido hoje é o fim dele, mas pensando bem, melhor seria acabá-lo completamente, ou adaptá-lo para atender melhor ao que ele mesmo se propõe a fazer?

Analisemos agora para tentar chegar numa conclusão.

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Imaginemos que agora você deixa ser jogador para ser o cara que gastou 3 anos no jogo, movimentou algo em torno de seus 5 milhões de dólares e mais de 50 pessoas no desenvolvimento, e está agora com o produto pronto para venda.

Você já gastou também outros milhões com publicidade (propaganda em tv nos melhores horários, banners nos melhores sites, e etc...), e agora no dia do lançamento você abre o site digg.com e vê a notícia que seu jogo é um dos mais pirateados do ano, e já passa de 200 mil downloads piratas na internet.

Se ele for vendido a 50 dólares, você já perdeu 10 MILHÕES de dólares com pirataria, isso só nas primeiras semanas.

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Com isso, a missão do DRM não é acabar com a pirataria, mas sim CONTROLAR, porque chegou num ponto onde os desenvolvedores estão perdendo o interesse em fazer ou portar jogos para PC.

Me responda: de que adianta aquela super placa GeForce novinha, se você não tem jogos legais pra empurrar nela?

Então uma das saídas encontradas hoje é o DRM, que limita a pirataria ao permitir que só joguem as pessoas que tenham comprado o jogo, por meio de uma autenticação na internet. É para isso que o DRM serve, tanto pra música, quanto pra jogo, como pra tudo.

Contudo o problema em si não é a existência do DRM, mas a maneira como você o implementa.

O grande problema do DRM da EA foi ter limitado demais, praticamente tratando o cliente como bandido em potencial, após ter analisado resultados de pesquisas internas e concluir que 75% dos consumidores instalavam o jogo em um único PC, e menos de 1% instalava em mais de 3 PCs.

E se deu pau no Windows ou na placa-mãe? E se teve de instalar em outro PC? E se... existem muitos "se" na história que não estão nas pesquisas internas da EA.

Lembre-se agora do que citei no início do texto... ADAPTAR o DRM.
Pois foi isso o que a EA fez, ADAPTOU o DRM. As mudanças incluem:

  • Aumento do número de 3 para 5 máquinas autorizadas a rodar o jogo
  • A possibilidade de desautorizar uma máquina e autorizar outra quantas vezes quiser
  • A disponibilidade de outros canais para autorização

Com essas mudanças:

  • Se você tem 3 ou até 5 PCs espalhados pela sua casa, os 5 poderão usar o mesmo jogo
  • Você pode autorizar e desautorizar PCs, garantindo liberdade e poder sobre o jogo que você comprou para jogar onde quiser, desde que você autorize os PCs
  • E mesmo que sua internet morra de vez, você terá outros métodos (possivelmente através de uma ligação por telefone) para ativar seu jogo

O grande problema é a maneira como os DRMs estão sendo implementados. O IPod tem o DRM dele, e o Zune na época que a Microsoft lançou também teve problemas.

Enfim, DRM existe para proteger a obra, seja jogo, música, qualquer coisa que possa ser colocada dentro do contrato de proteção. E com isso é de se esperar que gere confiança entre os desenvolvedores, porque do jeito que a coisa está hoje, se eles não tiverem alguma garantia que irão ter os lucros necessários pra manter a empresa, pagar funcionários, investir em pesquisas e jogos novos, o mercado de jogos pra PC vai sofrer uma grande perda de interesse seguida de queda.

Tente você convencer o pessoal da Crytek após a porrada que eles levaram no lançamento do Crysis, para ver se você consegue. Crysis foi um dos jogos mais pirateados da história, onde para cada cópia original existiam 20 piratas, deixando um buraco no orçamento da Crytek.

Eu mesmo me inscrevi no Steam, e paguei pelo jogo Audiosurf, com DRM. Posso desinstalar e instalar novamente onde e quando eu quiser, e até jogar off line também, desde que o Steam do computador em uso tenha minha senha.

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Finalmente, sozinho o DRM não barra a pirataria, e a prova disso é o próprio Spore.

Mas usando um bom modelo (como citado acima nas adaptações da EA), os desenvolvedores podem reverter esse quadro negativo ao te dar acesso a comunidades, scores, promoções, bônus como estágios novos, mapas e itens extras, e updates para seu jogo.

E agora, você ainda acha que o assunto DRM significa algo necessariamente ruim?

Se você fosse um desenvolvedor, iria querer ser protegido por um DRM bem aplicado sem irritar teus clientes?

Clique nos comentários e dê sua opinião.


Até a próxima. Leve o ticket e passe no caixa...

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